Para rir um bocado.
Aqui estou eu, no nono dia do mês e do ano de 2019, às 02:35 da manhã. De portátil nas pernas, cheia de dores no queixo, com a cara inchada e a vida virada do avesso. Eu explico: fui operada há 12 dias e estou toda fodida. A medicação fez-me pior que mal e acabei a dar por mim a criar um blog onde escrevo coisas estapafúrdias e sabe-se lá mais o quê que ninguém vai ler. Agora que penso, mais valia ter ido à note.it comprar um diário, mas agora como sou blogger e mencionei uma marca pode ser que para a semana me liguem com um patrocínio.
Chega de brincadeiras. Há 12 dias pensava que ia ser operada, ia acordar, ia ter alta passado dois dias e que ia estar absolutamente pronta para a vida. Ir trabalhar, comer, dormir, sair, embebedar-me, estão a ver? Não aconteceu nada disso. Primeiro, porque acordei a pensar que ia morrer. Segundo, porque quando me consegui levantar, olhei-me ao espelho e pensei "devem estar a brincar comigo".
Estou há 12 dias "fechada" em casa. Passei a noite de Ano Novo no sofá, a olhar para uma televisão, a ver diretos inúteis onde as perguntas e as respostas são sempre as mesmas. "O quê que espera de 2019?": "Paz, saúde, felicidade" e mais um monte de tretas. Saí de casa pela primeira vez quatro dias depois dessa noite horrenda. Saí com uma máscara na boca, dores musculares no corpo inteiro e com quase menos 4kg. O meu destino? O hospital.
Quem ler isto pensa que criei um blog para terem pena de mim. Deixem-me pôr os pontos nos i's: eu não posso trabalhar, não posso comer o que quero, não posso beber álcool, o que significa que não posso fazer as três coisas que faço melhor na vida. Mas posso fazer uma das quatro coisas que faço melhor, pois a quarta é escrever. "Epá, que convencida!". Não amigos, isto não é ser convencida. Lá por ser uma das coisas que eu faço melhor, não signifique que o faça bem. Isso vai da opinião de cada um. A minha opinião é que faço, simplesmente porque quando escrevo sinto-me bem, sinto-me eu. E porque sinto menos dores no queixo e a cara menos inchada quando o faço.
Eu sei, eu sei. Este post não está a servir para absolutamente nada, mas a mensagem que queria deixar aqui é a seguinte. Passaram 9 dias desde o Ano Novo, 12 dias desde a minha operação. Para quem passou os últimos quatro meses a trabalhar que nem uma égua, 12 dias é muito tempo. Para pensar, para refletir. Estamos naquela altura do ano em que estamos cheios de resoluções. Comprar um carro ou um telemóvel novo. Ter um computador melhor. Ir ao ginásio, começar a comer ovos ao pequeno-almoço e ser finalmente fit. Ser vegan, trocar a carne pelo tofu e se for preciso vomitar uma semana seguida. Isto para dizer o quê? Que não há problema nenhum em ter objetivos e muito menos em trocar a carne pelo tofu. O problema é criarmos objetivos sem objetivo nenhum. Querermos um carro novo porque simplesmente queremos um carro novo. Ainda nem há dois anos comprámos o carro e já queremos outro. Trocamos a carne pelo tofu não por gostarmos mais de tofu, trocamos porque está na moda comer tofu. Acreditarmos que é desta que vamos ao ginásio mas começamos logo o ano a dizer "para a semana inscrevo-me". E é assim que começamos o ano logo com o pé esquerdo.
Resumindo. Ainda bem que fui operada. Ainda bem que estou toda fodida, de cama, a liquídos um mês e quase sem conseguir falar. Sabem porquê? Não vi os foguetes, não comi passas nenhumas e consequentemente não criei objetivos nenhuns para além de acabar o antibiótico, conseguir lavar os dentes e deixar de ter dores no rabo porque tenho de dormir sentada. Claro que tenho outros objetivos - e maiores - mas são os mesmos que tinha antes do Pedro Abrunhosa dar o concerto nos Aliados ou até da Cristina Ferreira anunciar que ia deixar a TVI. Não criei mais porque ainda nem atingi os que criei em 2018 (e se é que os criei em 2018). E é esse o nosso problema: criarmos objetivos novos todos os anos (muitas vezes pelos motivos errados) e esquecermo-nos daqueles que não terminámos. Depois, chegarmos ao fim do ano, olharmos para trás e pensarmos "dude, não fiz nada do que queria fazer".
Pois é, amigos. Já temos menos nove dias para fazermos tudo o que queremos fazer, estamos à espera do quê?